Curso Vulnerabilidades, desigualdades e resistências em contextos organizacionais

maio 16, 2019 4:43 pm

Nos dias 09 e 10 de abril de 2019 aconteceu na sede da Abrapcorp o primeiro Curso de Curta Duração da associação. Os cursos são ministrados por professores da área de comunicação associados à Abrapcorp para estudantes, professores, pesquisadores e profissionais da área ou interessados em conhecer mais sobre.

Na primeira edição tivemos o prazer em receber a profa. Dra. Ângela Cristina Salgueiro Marques (UFMG) e o prof. Dr. Luis Mauros Sá Martino (Cásper Líbero) para falar sobre “Vulnerabilidades, desigualdades e resistências em contextos organizacionais”. Pedimos também que compartilhassem conosco um texto sobre o desenvolvimento do curso:

“No trabalho buscamos estima alheia e aprovação das conquistas e tarefas realizadas, e justamente por isso estamos expostos diante dos outros. Expostos diante das avaliações, julgamentos e apreciações morais que os outros fazem de nós e do produto de nosso trabalho. Disso decorre uma vulnerabilidade moral, física, social e até econômica, pois sabemos que, se o julgamento for negativo, a ameaça constante de demissão pode se tornar concreta. No caso das organizações e das relações que se desenham em seu contexto interno e externo, os poderes simbólicos que definem as hierarquias, o modo como a noção de trabalho institui uma moralidade do valor de alguém e o entendimento compartilhado de que estar desempregado ou integrar o “precariado” é algo negativo e desvalorizante nos mostra como os valores podem ser acionados como princípios que orientam julgamentos morais. Vivemos sob o risco constante de sermos “substituídos” no trabalho e essa ameaça de instabilidade, a qual dá origem a uma série de sofrimentos sociais, psíquicos e físicos, constitui-se em uma vulnerabilidade assimetricamente distribuída entre os sujeitos e grupos.

Sob esse aspecto, vulnerabilidades são produzidas situacionalmente e podem ser alteradas na interação e no desdobrar temporal em que ela se realiza. Os arranjos institucionais, a cultura e as normatividades definidoras da vida em comum criam sistemas de diferença que constroem e posicionam as pessoas como pertencentes ou não à organização, dignas ou indignas, valiosas ou desprovidas de valor. Vulnerabilidades surgem não só da distribuição desigual de recursos discursivos, políticos e materiais, mas também dos quadros morais tacitamente compartilhados e que servem para avaliar, julgar e tornar visíveis e audíveis sujeitos e coletividades. Grande parte das diferenças que definem assimetrias de distribuição das vulnerabilidades derivam do modo como as pessoas apreendem, lêem e reconhecem as demais, baseando-se em quadros compartilhados de avaliações morais que são tácitas, não tematizadas e veladas, mas que, ainda assim, alcançam um status de normatividade tal, que seguem valendo como regras, ainda que com certo grau de abertura para revisões. As questões que podemos fazer diante desse quadro são: como são definidos os padrões que tornam possíveis as distinções de valor entre os sujeitos? O que faz com que um modo de vida seja visto como desprezível em relação a outro? Como esses julgamentos morais das vidas e dos modos de vida comprometem a soberania e a autonomia das pessoas e grupos para elaborarem suas auto-definições e suas realizações?”

 

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